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Brega & Chique

Este é um blogue de uma mulher portuguesa com todas as (f)utilidades inerentes a essa condição...

Antigamente, as tardes eram mais longas...

 ... e não eram só as tardes... havia também as noites e, pelo menos, uma coisa a que se chamava de "fim de semana" e que, basicamente, servia para as pessoas descansarem e passarem tempo com as pessoas de quem mais gostam e precisam de estabelecer pontes como o cônjuge, a família e os amigos. Quando muito, nesses dois dias, tinha de se fazer alguma tarefa lá por casa que não se tinha tido tempo para se fazer à semana, mas... o resto do tempo era para "aproveitar". Longe vão estes tempos...

 

A primeira coisa a acabar foi o tempo que havia quando se chegava do trabalho. Para nem falar do tempo que se perde a ir e a vir do trabalho, porque as pessoas, cada vez mais, sujeitam-se a fazer um absurdo de quilómetros para trabalhar, com tudo o que isso implica. Aliás, se pensarmos bem, a hora do almoço foi mesmo o primeiro sacrifício para "adiantar trabalho" (aquele que nunca está completo...). Quando se chega a casa, hoje em dia, o trabalho vem junto como um cão que ferra o dente na nossa canela e não desgruda. Com as novas tecnologias, pior ainda. É o e-mail com a legislação nova, o resumo da reunião do dia seguinte, o relatório que tem de se enviar; o documento que tem que se disponibilizar no "moodle", os dados que é preciso passar para uma tabela de excel, fora as faturas de casa que é preciso conferir e os movimentos de conta do banco e... (podiam passar aqui a ler este artigo todo o dia se continuasse...)

 

Toda a semana, o escravo-do-século-XXI reza e suspira pelo fim de semana. Pelo bocado de tempo que... não vai ter. Pois é... depois de todos os almoços que não fez no trabalho, das horas que não dormiu por causa das viagens e das preocupações e das noites em que teimou trabalhar ingloriamente, chegado o Desejado (muito mais que um D. Sebastião que %&$#""$ com esta %&$%$#"% toda...) o crente do imbecil ainda o passa não a desfrutar o que quer que seja, mas a acabar o que não teve tempo para fazer ou a preparar o que tem de fazer no futuro. E se consegue ter a coragem de nada fazer, lá no seu subconsciente, a estragar-lhe cada um dos prazeres que, no fundo, não está a gozar, paira aquela vozinha irritante que lhe diz que tem que fazer isto ou aqueloutro e que aquele momento lhe vai sair caro...

 

Antigamente, as pessoas tinham o bem mais precioso que existe e que não volta mais: o tempo. E as tardes eram longas... bem mais longas...

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