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Brega & Chique

Este é um blogue de uma mulher portuguesa com todas as (f)utilidades inerentes a essa condição...

Reeditando "antiques": «Atirar-se ou não se atirar? Eis a questão!»

 

Não, não estou a falar da ponte 25 de Abril, nem da ponte D. Luís ou tão pouco de outras pontes físicas. Não falo de suicídio, embora, muitas vezes, o facto de se atirar conduza a um imperfeito suicídio, daqueles que a deixa entre a vida e a morte, sem uma definição exacta, como que em estado vegetal…

Falo de atirar-se ou não a uma relação. Toda a gente chega a um ponto em que fica “como o bêbado em cima da ponte”, ou seja, não sabe se há-de entregar-se ou retirar o seu exército do campo de batalha relacional. (E estou a referir-me apenas a uma pessoa, quando há mais que uma por onde escolher, aí… é o fim da picada… ui).

Há muitas maneiras de se chegar a um estádio destes. Conhece uma pessoa há algum tempo, é sua amiga e agora as coisas começam a evoluir noutro sentido e não sabe se é por aí que quer seguir; um dos seus esqueletos do passado volta com atos românticos e provas dadas de mudança (será???!!!) e sente-se tentada a perdoar; um daqueles seus amigos coloridos começa com sugestões mais sérias e não sabe se é isso que quer; farta-se da vida de borga e noites perdidas e decide que já é tempo de “assentar arraiais”com alguém, mas não tem a certeza de querer perder a sua dourada liberdade; ou, simplesmente, está apaixonada e quer algo mais que isso.

Depois há outras situações mais tristes, tipo: a sua mãe e a sua avó não param de lhe pedir um descendente; as suas amigas estão todas ocupadas e não tem com quem sair; já passou dos 30 e acha que é altura de casar; procura incessantemente a figura do pai que não teve num homem, etc, etc. Nestes casos, esqueça. Atirar-se de uma qualquer ponte abaixo será, com certeza, mais proveitoso.

Se não é um caso de desespero, então é natural a questão martelar-lhe na cabeça: “atiro-me ou não?”

Estas coisas do amor têm muito que se lhe diga. Se pudéssemos simplesmente escolher a pessoa certa para nós, por exemplo, num catálogo, sem termos de nos magoar e sem medo do engano, era tudo mais simples. É que as pessoas não se conhecem verdadeiramente a si próprias, quanto mais aos outros?! E, por muito que se conheça, quem nos garante que nós (e os outros) não mudem? Meus amigos… as pessoas não são como as coisas. Não trazem garantia, nem prazo de validade. É preciso arriscar. Já dizem os antigos que “quem não arrisca não petisca” e olhem que têm muita razão.

Ainda por cima, o amor é o contrário da razão. Racionalizar o amor é um perfeito disparate e tira o sabor das coisas. Perde a piada, o mistério, a aventura. É impossível ter os dois. Já dizia Fernando Pessoa em relação à pobre ceifeira: “quem me dera ter a inconsciência dela e ter a consciência disso”. É um paradoxo. Ou se é consciente ou não se é. Ponto final e parágrafo.

Agora, o amor também não tem, necessariamente de ser a roleta russa. Não vá atirar-se nos braços do primeiro caramelo que aparecer a fazer-lhe juras de amor, mesmo que tenha a aparência de um Brad Pitt e a lábia de um José Sócrates. Depois acontece como aos portugueses: das promessas nem vê-las, embora as fodas fossem de mestre…

Nesse caso, o que fazer? Ficar eternamente à espera do príncipe encantado? Nem pensar! Mais depressa o cavalo branco virava o Brad Pitt, ou seja, isso é um mito.

Aceitar um homem porque ele até é um gajo fixe e gosta muito de nós? Também não. E o resto? Não confundir homem com amigo.

Ficar com um homem só porque há muita química? Também não. Erro oposto. E quando precisar de alguém que a apoie?

Como pode ver, não há a fórmula mágica, a não ser que confie numa boa cartomante e ela lhe consiga verdadeiramente vislumbrar o futuro. Mas como eu continuo a achar estranho elas não adivinharem os números do euromilhões… não sei se será ideia.

A magia está em si. Tem que fazer uma pergunta muito importante a si própria e não é se conseguirá viver com aquele homem. É exactamente o oposto: consegue “viver” SEM aquele homem na sua vida (e isto não como amigo, mas como homem)? Se a resposta for não, então, acho que é de se atirar. O resto, logo se vê. De que adianta viver uma vida sem emoções, sem sentimentos? Será preferível não amar e não se entregar, só para não sofrer?

Cada um sabe de si, mas eu, pessoalmente não sei viver sem emoções. Nesse caso tinha encarnado animal. Já que encarnei humana, há que gozá-lo. Claro que fdp e afins são de evitar, mas sem esses vivemos nós muito bem…

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