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Brega & Chique

Este é um blogue de uma mulher portuguesa com todas as (f)utilidades inerentes a essa condição...

Personalidades: Maria Callas

 Hoje trago-vos mais uma grande mulher, desta feita, Maria Callas, considerada por muitos a maior cantora de todos os tempos, um "raríssimo soprano absoluto" (o seu timbre era descomunal e muito amplo, o que lhe permitia mudá-lo em diversas nuances que a interpretação pedia, além de sua incrível extensão. A sua extensão usual é quase sempre de três oitavas). O domínio da sua técnica bel canto (a base técnica do bel canto reside na ênfase do controle da respiração, no aperfeiçoamento do legato, na precisão e flexibilidade da coloratura, na ausência de transições bruscas entre os registros, no controle sobre uma longa extensão vocal - com um registro agudo bastante desenvolvido e de fácil emissão -  e na capacidade de construir a situação dramática pela própria linha melódica e pelos atributos vocais) fez com que fosse apelidada de «La Divina».

 

 

Mas Maria Callas, nascida como Ánna María Kekilía Sofía Kalogerópulu (em grego Μαρία Καικιλία Σοφία Άννα Καλογεροπούλου) não se notobilizou apenas pelo grande êxito como cantora. Era dona de uma singular beleza e aprimorado bom gosto para a moda e a arte, em geral. Nascida em Nova Iorque em 1923 no seio de uma família grega, na adolescência, ultrapassou os três dígitos na balança — até submeter-se a um regime rigoroso que a fez perder 30 quilos. Callas também implicava com o próprio nariz, roía as unhas e sofria com acne.

 

 

 

No entanto, Dior, Balmain, Yves Saint Laurent, todas as grandes marcas vieram a disputar a preferência da diva, fosse no palco ou fora dele. O estilo dela continua a ser inspiração para os grandes criadores como Domenico Dolce e Stefano Gabbana, que usaram a soprano como musa inspiradora de uma coleção.

Callas também sabia usar a maquiagem a seu favor. Para disfarçar as proporções do seu nariz, a maquilhagem ganhava foco nos olhos, com o eyeliner "gatinho" como favorito. O resultado era um rosto ainda mais marcante, que ajudava aumentar a carga dramática de sua interpretação nas óperas que estrelava.

 
 

 
Mas é a personalidade dela a que mais fascina... Maria Callas era dona não só de uma forte voz, como de um forte génio. O dramatismo que transmitia em palco assemelhava-se ao da sua vida real. Vivia intensamente alegrias, desgostos e altercações... Indispôs-se com colegas, maestros e amigos, em nome das suas crenças estéticas e morais. Era bastante assertiva nas suas respostas, o que fez com que fosse despedida algumas vezes e até proibida de entrar em alguns locais.
Era uma lutadora e trabalhava intensamente, até contra as indicações dos médicos, a ponto de desfalecer em plena atuação.
 

 
Teve um casamento de 10 anos com um homem bem mais velho que ela e que a traía. Mais tarde, viria a dizer que foi como um pai, uma vez que nunca sentiu amor da sua família. A sua mãe, inclusivamente, explorou-a.
Sempre foi fascinada pela homossexualidade e sentiu-se atraída por homens homossexuais, chegando mesmo a ter alguns.
Mas quem mexeu irremediavelmente com a cantora foi Aristóteles Onassis, o multimilionário grego.
 

 

Onassis foi o começo do seu fim. Devido ao intenso amor que sentia por ele, embarcou num estilo de vida que a afastou do seu trabalho. Noitadas, loucuras e festejos, por um lado, quando estava com ele e, por outro lado, narcóticos e noites mal dormidas em desespero que influenciavam a sua voz. Chegou a estar grávida dele, mas a sua reação foi tão negativa que abortou no dia seguinte e ainda se operou para lhe não dar mais desgostos. Mas o pior ainda estava para vir: Jackie Kennedy, que viria a casar-se com ele, levando-a a refugiar-se em antidepressivos, tranquilizantes e muitas lágrimas de profunda tristeza.

 

 Mesmo assim, Callas ainda consegue ressurgir das cinzas e fazer mais uma digressão triunfante, apesar da sua voz se ter deteriorado. Ela sempre encontrou forças para lutar até que, em 1975, morreu Onassis por quem ela continuava apaixonada. Na sequência, ela autoapelida-se de "viúva" e recolhe-se ao seu apartamento de Paris, onde morre de ataque cardíaco em 1977, com apenas 53 anos.

 

 

Os seus amigos dizem que morreu de tristeza. Há quem diga até que foi suicídio.

Músicas da minha vida

 

Há um programa na TSF em que personalidades convidadas apresentam a "banda sonora" da sua vida. Por vezes, oiço este programa que, regra geral, costuma ser interessante. A pessoa escolhida faz uma breve introdução sobre a música que vamos escutar, explicando as razões de eleição daquela canção. Muitas vezes, e como o programa não é eterno, escolhe-se apenas uma música de um artista ou banda para representar todo o conjunto de canções. Há razões pessoais, históricas, políticas, sentimentais, profissionais e outras coisas mais para a escolha de cada uma delas.

 

Mas, às vezes, pergunto-me: "Será que esta escolha é real ou, tendo em conta que se tratam de pessoas que estão na ribalta, não haverá por aqui também algum marketing nestas eleições..."? Por exemplo, se a personalidade escolhida fosse o Passos Coelho, não estaria a vê-lo assumir que gostava das Doce (embora tenha sido casado com uma das suas integrantes...) ou o Paulo Portas dizer que gostava da pimbalhada (embora tenha passado toda a campanha eleitoral nos bailaricos...)...

 

Presunções à parte, e como sou uma ilustre desconhecida, resolvi pensar sobre o assunto da minha prespetiva. Tendo em conta que o programa demora cerca de uma hora, decidi escolher 10 músicas que tenham a ver com a minha vida. Ora, limitar a minha "banda sonora" a só 10 músicas é algo muuuuiiiiiiiiiitooooooooooo complicado de fazer. Só da década de 80 e 90 são músicas às paletes... Como também resolvi escrever este artigo agora, sem andar a "dormir sobre o assunto" também é muito provável que descarte alguma muito, muito importante. Mas, paciência. Isto também não é o tratado de Tordesilhas...

 

Também é inegável que as memórias que elegemos dependem sempre do estado de espírito atual. Por exemplo, se eu estivesse apaixonadíssima era natural que fosse buscar músicas relacionadas com o aspeto amoroso (ou se estivesse com "dor de corno..."). Creio que ando, neste momento, naquele estado de espírito "nim". O que nem aquece, nem arrefece, que nem é água, nem vinho. Assim um bocado indiferente. Vamos a ver que memórias me vêm assim...

 

 Ora, claro que, indo buscar uma música da minha infância, não haveria outra que a Abelha Maia, cantada pela Ágata e o Tozé Brito. Apesar de a minha série de infância preferida ter sido a «Bana e Flapi» (da qual completei a caderneta totalmente - obrigada papá), a música que ficou foi esta, sem dúvida. Ouvi-la, dá vontade de saltitar de flor em flor como a Maia. :)

 

Entretanto, na minha infância/ adolescência ouvi muita música clássica, não só porque andava no ballet, como porque andava na música e tinha uma amiga que fez o conservatório (e hoje em dia dá aulas e é reconhecida nessa área). Então, passava horas a ouvir os ensaios ou os devaneios dela. Mas não vou pôr aqui nenhuma específica.

 

 

Durante a minha adolescência começaram a bombar os grandes nomes da pop. Artistas e grupos musicais, com os seus estilos arrojados e desafiadores ao conservadorismo da sociedade. A mais importante para mim...? A ainda rainha da pop: Madonna. A única que desde a década de 80 do século XX consegue estar sempre em cima, graças à sua capacidade de reinvenção permanente. A primeira vez que vi este vídeoclip fiquei vidrada e nunca mais despeguei. God save the queen!

 

 

Juntamente veio o meu amor ao "Génio de Minneapolis" Prince, menos conhecido destas gerações mais novas. Esta música é um dos clássicos deste artista completo. Muito apropriado àquela fase de revolta contra o mundo e "síndrome do incompreendido", típica da fase da adolescência. Aquele sentimento de "alone in a world so cold"... Mas ao menos, eu fui uma adolescente revoltada com bom gosto musical. :)

 

 

E quem é que nos entendia nesta altura...? Claro! Só as nossas queridas amigas. Eu fui abençoada com algumas que ficaram para a vida e passei (e ainda passo) muitas boas noites (e dias) de diversão com elas!

 

 

E depois, chegámos aos noventas e chegam estes novos ritmos ouvidos aos altos berros nos intervalos das aulas. A associação de estudantes da minha escola era exímia em "dar-nos" música... Nessa altura, também proliferavam as discotecas particulares. Aqui havia várias e as faltas eram meticulosamente contabilizadas para não faltarmos às festas... nem chumbarmos de ano... E claro, havia as abençoadas (e bem precisas) horas livres para estarmos com os nossos amigos, irmos a festas e... fazermos asneiras, pois claro!

 

 

E chegamos àquela que é A MÚSICA. Todos têm uma. A minha é esta. Embora fosse mais antiga, só a ouvi já jovem, embora tenha sido banda sonora do filme «Streets of Fire» onde assistimos a um novíssimo Willem Dafoe...

 

Digo que é a canção da minha vida porque reúne um conjunto de razões: o ritmo, que me faz dançar que nem uma louca, a letra que apela à evasão da bestialidade do marasmo e à fruição do momento... e claro... tenho uma história meio louca ligada a esta música e à paixão da minha vida (a primeira, inigualável e imortal).

 

É inevitável: posso ouvir esta música 789000000000 milhões de vezes que a minha adrenalina vai sempre disparar...

 

E com as paixões, vieram, obviamente, as dores de corno, as desilusões e os amores não correspondidos. Muita musiquinha triste ouvi eu... Claro que este é um clássico de uma das minhas bandas favoritas, mas é apenas um exemplo que escolhi dos INXS porque também ouvi/ ouço muita coisa deles.

 

 

E com a universidade vieram novas festas, novos amigos, outros sítios onde passar as férias e muita, muita festa. Esta música faz-me sempre lembrar festa. Apenas isso. Pura diversão. :)

 

 

Com a universidade e novos conhecimentos vieram também novos (antigos) gostos musicais. Tive a sorte de estudar num sítio onde havia discotecas e bares que passavam boa música e não apenas "a da moda". E claro, também existiram outros amores... A letra desta música é simplesmente divina. É a pura entrega.

 

 

Outra música que vem desses tempos e que ficou até hoje é esta. Sempre que a oiço sinto-me feliz (especialmente se estiver apaixonada). Sentir esta música é acreditar que é sempre possível recomeçar.

 

E pronto... esgotei as 10 músicas... Eu não disse que não ia chegar...?

 

E as vossas? Qual é "aquela" música e por quê?

 

Até já, David! O teu legado será eterno...

 Seria possível deixar este dia em branco sem escrever (nem que seja) umas míseras linhas de palavras sobre o mais camaleónico de todos os artistas masculinos...? I don't think so...

 

 Ouço David Bowie desde que me lembro de ser gente. Tive a sorte de crescer numa casa onde havia bastante diversidade e cultura musical (e discos, carradas de vinil que hão de fazer parte da minha herança...) e, embora não compreendesse desde cedo a profundidade das letras das suas canções, sempre me intrigou a figura e me fez mexer a música.

 

 Com os anos, a maturidade e a experiência de vida, fui gostando cada vez mais deste artista. Sim, porque David não é apenas um cantor. É um artista completo. Para além da música, da passagem também pelo cinema e outras facetas artísticas, Bowie foi também agente social. Apoiou movimentos como a libertação gay, influenciou a moda, a performance musical e a forma de expressão de numerosos artistas.

 

Mas, como eu dizia no início do artigo, estas são apenas umas míseras linhas de palavras de homenagem ao grande David Bowie, cujo legado perpetuará. Aqui ficam algumas das músicas que mais gosto dele. Long live!

 

 

 

 

 

 

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