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Brega & Chique

Este é um blogue de uma mulher portuguesa com todas as (f)utilidades inerentes a essa condição...

Filmes: «As sufragistas» (a ver)

 Só por ter como uma das atrizes a grande Merly Streep já valeria ver este filme. O reconhecimento conseguido e a idade permitem-lhe aceitar papéis e filmes em que realmente acredita (e que valem a pena). No entanto, não é só pelo elenco que reúne que estou curiosa para ver esta história. É que a História por detrás da história é um tema que me é muito caro, enquanto mulher republicana.

 

Em Portugal (após algumas "nuances" de voto feminino) foi definitivamente no período do PREC (Período revolucionário em curso - aquele mesmo que é agora tão mal afamado pela Direita), mais concretamente em 1974, que a mulher portuguesa conquistou (finalmente!) o seu direito a votar.

 

Espanta-me, portanto, ver os números da abstenção de hoje em dia. As pessoas (sim, os homens também estão inseridos nestes números escabrosos) esqueceram-se da quantidade de gente que teve que sofrer, ficar sem o seu trabalho ou a sua família, viver na cladestinidade, emigrar, estar preso, sofrer represálias físicas e/ ou psicológicas e até morrer para que, na atualidade, todos possamos escolher quem nos representa. Os números da abstenção são um vergonha e desonram a memória destas pessoas que se sacrificaram para que pudéssemos ter este direito e também este dever. Vejam histórias como esta e mudem de atitude.

 

Aqui fica a sinopse do filme:

A história das ativistas que estiveram no início do movimento feminista, mulheres que foram forçadas à clandestinidade, com um Estado cada vez mais brutal, enquanto lutavam pelo direito de voto. Essas mulheres não eram maioritariamente das classes educadas, mas sobretudo das classes operárias e que tinham assistido ao falhanço do protesto pacífico. Radicalizadas e recorrendo à violência como a única via para mudar, elas estavam dispostas a perder tudo na luta pela igualdade - os seus empregos, as suas casas, os seus filhos e as suas vidas. Maud (Carey Mulligan) era uma dessas ativistas. 
 
E aqui o trailer:

 

Filmes: «The Walk: o desafio»: um filme para ir ver ao cinema

 Não sou muito apologista de ir ao cinema. E tenho os meus motivos: tenho de sair do conforto do meu lar, do meu sofá (onde posso estar esparramada e de pijama e a comer o que me apetecer sem pagar um balúrdio), posso pausar o filme quando quiser (para ir ao WC, para ir buscar alguma coisa, atender uma chamada urgente...), a temperatura é a ideal (já cheguei a ficar doente por ir ao cinema, graças a parecer um forno ou o Pólo Norte...), posso chorar baba e ranho e rir-me como uma histérica à vontade, fica mais barato e, acima de tudo, vejo o filme sem qualquer tipo de distração. O que mais me irrita numa sala de cinema é o cabeçudo que fica mesmo à minha frente e tenho que estar sempre a esticar-me, o casalinho de namorados que não pára de falar, o cromo que não desligou o telemóvel e os ruminantes a comer pipocas e que esgravetam os baldes como suínos. Pronto. Dito.

 

 

Portanto, só vou ao cinema quando entendo que o tipo de filme vale mesmo a pena, especialmente, pelos efeitos especiais. Este requisito é mesmo o único em que o cinema ganha. «The walk» parece-me ser um filme que se enquadra na categoria "faz-lá-um-esforço-e-vai-ao-cinema-que-vale-a-pena". Não só tem um elenco de luxo, como a história é cativante e baseada em factos reais. A história (já previamente contada no documentário «O homem do arame» é acerca da aventurosa caminhada sobre um arame que o equilibrista francês Philippe Petit fez ilegalmente entre as Torres Gémeas, em 1974, quando ainda os dois arranha-céus estavam em fase de acabamento (e nem eram bem aceites pelos habitantes de Nova Iorque, pois consideravam-nos uns "mamarrachos").

 

 Como as Torres Gémeas já nem sequer existem, tudo teve de ser recriado através de programas de computador e "transpostado" para o filme, que está disponível para os espetadores no sistema Imax e 3D. Portanto, deve ser mesmo qualquer coisa de espetacular assistir a esta história no cinema, pois a realidade do irreal que estamos a ver (mas que já existiu, de facto, um dia) deverá proporcionar-nos uma expiriência fantástica. Aqui fica o trailler:

 

 Promete, não?...

«Florbela»: o filme falhado

 Já alguma vez vos disse que a Florbela Espanca é a minha poetisa preferida...? Penso que não... Bem, digo agora! Tive um professor que a criticava porque dizia que "ela era uma exagerada" e que a escrita dela era "intensa demais". Segundo ele, fazia-lhe lembrar "o canto da Simone Oliveira que ameaçava enfartar a cada atuação". Como devem ter percebido a opinião dele sobre o assunto (tanto em relação à Florbela quanto à Simone) teve a mesma influência em mim como as cócegas de uma pena numa rocha... ou seja, nenhuma. Sobre a grande Simone de Oliveira falarei outro dia. Vou cingir-me à Florbela Espanca que nem poderia ser de outra forma, pois sofria de bipolaridade. Neste poema, temos um exemplo desta "inconstância":

 

Inconstância

Procurei o amor, que me mentiu.
Pedi à Vida mais do que ela dava;
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!

Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!

Passei a vida a amar e a esquecer…
Atrás do sol dum dia outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando…

E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há-de partir também… nem eu sei quando…

 

Aliás, grandes autores sofreram desta doença e todos eles foram "intensos". Também a maioria deles acabou como ela: morte por suicídio.

 

 Mas a poetisa não escreveu só poemas que nos tocam. Ela foi também uma grande mulher, uma mulher "muito à frente" para o seu tempo e que preferiu passar por cima de convenções e esteriótipos da sociedade a deixar de viver a sua vida. Casou três vezes, estudou e escrevia, inclusivamente em jornais. Nos seus poemas abordou o tema do amor aludindo ao desejo feminino e à sensualidade.

 

Foi, portanto, um grande "balde de água fria" assistir ao filme. Em primeiro lugar, apresenta como factos situações completamente irreais (a relação com o seu irmão surge como quase incestuosa, aquele "salvamento" do seu pai, entre outros). Por outro lado, o retrato da nossa sociedade dos anos 20, mais parece típica dos anos 60 ou 70... Parece-me que se limitaram a embarcar no que a Agustina Bessa-Luís escreveu sobre ela... É pena... a Florbela reduzida ao corriqueiro... quando tudo nela foi transcendente.

 

 

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