Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Brega & Chique

Este é um blogue de uma mulher portuguesa com todas as (f)utilidades inerentes a essa condição...

Filmes: «As sufragistas» (a ver)

 Só por ter como uma das atrizes a grande Merly Streep já valeria ver este filme. O reconhecimento conseguido e a idade permitem-lhe aceitar papéis e filmes em que realmente acredita (e que valem a pena). No entanto, não é só pelo elenco que reúne que estou curiosa para ver esta história. É que a História por detrás da história é um tema que me é muito caro, enquanto mulher republicana.

 

Em Portugal (após algumas "nuances" de voto feminino) foi definitivamente no período do PREC (Período revolucionário em curso - aquele mesmo que é agora tão mal afamado pela Direita), mais concretamente em 1974, que a mulher portuguesa conquistou (finalmente!) o seu direito a votar.

 

Espanta-me, portanto, ver os números da abstenção de hoje em dia. As pessoas (sim, os homens também estão inseridos nestes números escabrosos) esqueceram-se da quantidade de gente que teve que sofrer, ficar sem o seu trabalho ou a sua família, viver na cladestinidade, emigrar, estar preso, sofrer represálias físicas e/ ou psicológicas e até morrer para que, na atualidade, todos possamos escolher quem nos representa. Os números da abstenção são um vergonha e desonram a memória destas pessoas que se sacrificaram para que pudéssemos ter este direito e também este dever. Vejam histórias como esta e mudem de atitude.

 

Aqui fica a sinopse do filme:

A história das ativistas que estiveram no início do movimento feminista, mulheres que foram forçadas à clandestinidade, com um Estado cada vez mais brutal, enquanto lutavam pelo direito de voto. Essas mulheres não eram maioritariamente das classes educadas, mas sobretudo das classes operárias e que tinham assistido ao falhanço do protesto pacífico. Radicalizadas e recorrendo à violência como a única via para mudar, elas estavam dispostas a perder tudo na luta pela igualdade - os seus empregos, as suas casas, os seus filhos e as suas vidas. Maud (Carey Mulligan) era uma dessas ativistas. 
 
E aqui o trailer:

 

Filmes: «The Walk: o desafio»: um filme para ir ver ao cinema

 Não sou muito apologista de ir ao cinema. E tenho os meus motivos: tenho de sair do conforto do meu lar, do meu sofá (onde posso estar esparramada e de pijama e a comer o que me apetecer sem pagar um balúrdio), posso pausar o filme quando quiser (para ir ao WC, para ir buscar alguma coisa, atender uma chamada urgente...), a temperatura é a ideal (já cheguei a ficar doente por ir ao cinema, graças a parecer um forno ou o Pólo Norte...), posso chorar baba e ranho e rir-me como uma histérica à vontade, fica mais barato e, acima de tudo, vejo o filme sem qualquer tipo de distração. O que mais me irrita numa sala de cinema é o cabeçudo que fica mesmo à minha frente e tenho que estar sempre a esticar-me, o casalinho de namorados que não pára de falar, o cromo que não desligou o telemóvel e os ruminantes a comer pipocas e que esgravetam os baldes como suínos. Pronto. Dito.

 

 

Portanto, só vou ao cinema quando entendo que o tipo de filme vale mesmo a pena, especialmente, pelos efeitos especiais. Este requisito é mesmo o único em que o cinema ganha. «The walk» parece-me ser um filme que se enquadra na categoria "faz-lá-um-esforço-e-vai-ao-cinema-que-vale-a-pena". Não só tem um elenco de luxo, como a história é cativante e baseada em factos reais. A história (já previamente contada no documentário «O homem do arame» é acerca da aventurosa caminhada sobre um arame que o equilibrista francês Philippe Petit fez ilegalmente entre as Torres Gémeas, em 1974, quando ainda os dois arranha-céus estavam em fase de acabamento (e nem eram bem aceites pelos habitantes de Nova Iorque, pois consideravam-nos uns "mamarrachos").

 

 Como as Torres Gémeas já nem sequer existem, tudo teve de ser recriado através de programas de computador e "transpostado" para o filme, que está disponível para os espetadores no sistema Imax e 3D. Portanto, deve ser mesmo qualquer coisa de espetacular assistir a esta história no cinema, pois a realidade do irreal que estamos a ver (mas que já existiu, de facto, um dia) deverá proporcionar-nos uma expiriência fantástica. Aqui fica o trailler:

 

 Promete, não?...

«Florbela»: o filme falhado

 Já alguma vez vos disse que a Florbela Espanca é a minha poetisa preferida...? Penso que não... Bem, digo agora! Tive um professor que a criticava porque dizia que "ela era uma exagerada" e que a escrita dela era "intensa demais". Segundo ele, fazia-lhe lembrar "o canto da Simone Oliveira que ameaçava enfartar a cada atuação". Como devem ter percebido a opinião dele sobre o assunto (tanto em relação à Florbela quanto à Simone) teve a mesma influência em mim como as cócegas de uma pena numa rocha... ou seja, nenhuma. Sobre a grande Simone de Oliveira falarei outro dia. Vou cingir-me à Florbela Espanca que nem poderia ser de outra forma, pois sofria de bipolaridade. Neste poema, temos um exemplo desta "inconstância":

 

Inconstância

Procurei o amor, que me mentiu.
Pedi à Vida mais do que ela dava;
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!

Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!

Passei a vida a amar e a esquecer…
Atrás do sol dum dia outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando…

E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há-de partir também… nem eu sei quando…

 

Aliás, grandes autores sofreram desta doença e todos eles foram "intensos". Também a maioria deles acabou como ela: morte por suicídio.

 

 Mas a poetisa não escreveu só poemas que nos tocam. Ela foi também uma grande mulher, uma mulher "muito à frente" para o seu tempo e que preferiu passar por cima de convenções e esteriótipos da sociedade a deixar de viver a sua vida. Casou três vezes, estudou e escrevia, inclusivamente em jornais. Nos seus poemas abordou o tema do amor aludindo ao desejo feminino e à sensualidade.

 

Foi, portanto, um grande "balde de água fria" assistir ao filme. Em primeiro lugar, apresenta como factos situações completamente irreais (a relação com o seu irmão surge como quase incestuosa, aquele "salvamento" do seu pai, entre outros). Por outro lado, o retrato da nossa sociedade dos anos 20, mais parece típica dos anos 60 ou 70... Parece-me que se limitaram a embarcar no que a Agustina Bessa-Luís escreveu sobre ela... É pena... a Florbela reduzida ao corriqueiro... quando tudo nela foi transcendente.

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Quantos somos no Facebook?

Seguir no bloglovin

Seguidores

Quantos andam aí?

Visitas

Blogs Portugal

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D

Noi hablamos autres lenguas

subscrever feeds

Partilhar no Facebook

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.