Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Brega & Chique

Este é um blogue de uma mulher portuguesa com todas as (f)utilidades inerentes a essa condição...

«Florbela»: o filme falhado

 Já alguma vez vos disse que a Florbela Espanca é a minha poetisa preferida...? Penso que não... Bem, digo agora! Tive um professor que a criticava porque dizia que "ela era uma exagerada" e que a escrita dela era "intensa demais". Segundo ele, fazia-lhe lembrar "o canto da Simone Oliveira que ameaçava enfartar a cada atuação". Como devem ter percebido a opinião dele sobre o assunto (tanto em relação à Florbela quanto à Simone) teve a mesma influência em mim como as cócegas de uma pena numa rocha... ou seja, nenhuma. Sobre a grande Simone de Oliveira falarei outro dia. Vou cingir-me à Florbela Espanca que nem poderia ser de outra forma, pois sofria de bipolaridade. Neste poema, temos um exemplo desta "inconstância":

 

Inconstância

Procurei o amor, que me mentiu.
Pedi à Vida mais do que ela dava;
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!

Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!

Passei a vida a amar e a esquecer…
Atrás do sol dum dia outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando…

E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há-de partir também… nem eu sei quando…

 

Aliás, grandes autores sofreram desta doença e todos eles foram "intensos". Também a maioria deles acabou como ela: morte por suicídio.

 

 Mas a poetisa não escreveu só poemas que nos tocam. Ela foi também uma grande mulher, uma mulher "muito à frente" para o seu tempo e que preferiu passar por cima de convenções e esteriótipos da sociedade a deixar de viver a sua vida. Casou três vezes, estudou e escrevia, inclusivamente em jornais. Nos seus poemas abordou o tema do amor aludindo ao desejo feminino e à sensualidade.

 

Foi, portanto, um grande "balde de água fria" assistir ao filme. Em primeiro lugar, apresenta como factos situações completamente irreais (a relação com o seu irmão surge como quase incestuosa, aquele "salvamento" do seu pai, entre outros). Por outro lado, o retrato da nossa sociedade dos anos 20, mais parece típica dos anos 60 ou 70... Parece-me que se limitaram a embarcar no que a Agustina Bessa-Luís escreveu sobre ela... É pena... a Florbela reduzida ao corriqueiro... quando tudo nela foi transcendente.

 

 

1 comentário

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

Mais sobre mim

foto do autor

Quantos somos no Facebook?

Seguir no bloglovin

Seguidores

Quantos andam aí?

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D

Noi hablamos autres lenguas

Partilhar no Facebook

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.