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Brega & Chique

Este é um blogue de uma mulher portuguesa com todas as (f)utilidades inerentes a essa condição...

Reeditando "antiques": «Temos pena - parte 2»

 

A propósito do artigo «Temos pena», cá vai mais um que se enquadra na temática abordada.

   Todas nós (e todos) sabemos o que custa “levar com um pé na bunda”. Especialmente se estivermos mesmo apaixonadas. Ainda mais se foi uma paixão de adolescente. Nessa altura, tudo é levado ao extremo e a nossa autoestima desaparece nesses escassos segundos em que somos “dispensadas”. Com o tempo “a coisa” é digerida, mas fica lá sossegadita. Se se tiver a sorte do gajo desaparecer da vista, está-se melhor e nunca mais se pensa no “trauma”. Ouve-se esporadicamente notícias da personagem, sabe-se que ele se casa, que até já teve filhos, que se separou, que voltou a casar, enfim… e nada disso a afeta já. Simplesmente acha caricato. Até que…

   … Numa bela noite em que vai pôr o paleio em dia com as amigas, vê entrar o dito cujo porta dentro do bar em que se encontra. Cochicho geral (claro está) e rapidamente as amigas tomam conhecimento da ocorrência. Tudo no gajo é passado a pente fino (of course...) e você conclui, radiante, que ele piorou bastante. Esta constatação é, normalmente, acompanhada de uma sensação de conforto e de satisfação. Portanto, com este facto lá volta aquela autoestima perdida há 20 e tal anos atrás.

   O caramelo, acompanhado por um amigo (o que revela logo que “algo vai podre no reino do casamento dele”), deita os olhos ao redor e repara em si. Como até agora não a tinha visto, você teve tempo para ser surpreendida, reagir e voltar ao normal. Ele não. Faz um esgar de surpresa, olha de alto abaixo e abre um sorriso acompanhado de um “olá” efusivo. Está visto, a batalha está ganha. Você, pelo contrário, dirige-lhe um olá rápido, para não ser indelicada e volta-se para a amiga. Os dados estão lançados.

   Pelo que as amigas lhe dizem, o fulano não pára de olhar e já comentou com o amigo. Coitado. Pensa que você cresceu por fora, mas por dentro continua a ser “a lorpa”. Sem dúvida, ele está a pensar na melhor estratégia para a abordar, mas como covarde que é, não ousa aproximar-se, porque não está sozinha.

   É aí que você vai convenientemente ao w.c. (pensa ele). Quando volta já pressente que o cromo lá estará à espera e é dito e feito. Lá está ele de sorriso aberto e de cabeça espetada para os dois beijos da praxe e o paleio do costume, tipo, “O que é feito de ti?”, “Estás melhor ainda” e etc, merdas que nem ao Menino Jesus lembram (mas o que estes gajos têm na cabeça?!). Você vai respondendo evasivamente e o gajo, em desespero de causa, lá lhe diz que se arrependimento matasse, blá, blá, blá...

   É aí que o entala: “Estás a falar de quê, mesmo? Não estou a perceber…”. Ele lá se embrulha todo a falar do passado, com pormenores românticos perante o seu olhar propositadamente confuso. Depois de o deixar estender bem a manta, simplesmente responde-lhe: “Tens uma memória fantástica, parabéns! A única coisa que me lembro é que realmente se passou alguma coisa entre nós, mas deve ter sido apenas uma coisa de crianças, porque nem fazia a mínima ideia do que estiveste para aí a dizer. Que engraçado! Olha, não me leves a mal, mas as minhas amigas estão à minha espera… gosto em ver-te” e vaza.

   Curiosamente, não é que o indivíduo passa a noite a beber como um camelo (que é e sempre foi) e não tira os olhos de si?!? Temos pena…

 

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