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Brega & Chique

Este é um blogue de uma mulher portuguesa com todas as (f)utilidades inerentes a essa condição...

Livros: «a máquina de fazer espanhóis», de valter hugo mãe

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Não gosto da escrita de valter hugo mãe (já que ele quer as minúsculas...). Para mim, a pontuação é fundamental para passar a mensagem. Essa história de fluência, como relata Caetano Veloso no prefácio, não me convence. Um livro é a visão de alguém sobre alguma coisa; nem que seja alguém inventado. Retirar a pontuação é exprimir-se em tom monocórdico. Sei que há muita gente que gosta, mas eu não. Preciso de colorir as emoções e os pensamentos que me estão a narrar.

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Já quanto ao conteúdo do livro, o sumo, propriamente dito, a minha opinião vai ao extremo oposto. O livro aborda a velhice, a passagem do rio que não volta (como Ricardo Reis dizia), a impotência do ser humano para controlar a sua vida a partir de uma certa idade, a perda da independência das nossas ações e opções, a revolta e a raiva de já não sermos os mesmos e as emoções e sentimentos ao lidarmos com isso. O constatar de que o mundo e a vida segue, apesar de nos sentirmos a definhar, enfim, a condição humana mortal e o encarar da morte ora com repulsa, ora como forma de paz.

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Pelo meio, referência a outros temas como a religião, a amizade, a época salazarista, o livre arbítrio e o livre pensamento e o seu inverso. Arrependimento, remorso e autopunição.

Se há coisa que me aterroriza é o conceito de lar de terceira idade. O local para onde se vai esperar a morte. É como se fosse um mosteiro em que nos despojamos de tudo o que é nosso e de nós mesmos quando entramos. Perde-se a identidade e quase tudo o que nos caracterizava como indivíduo cá fora. Não me venham com tretas. Para mim, pior que morrer sozinho, é morrer "sozinho" numa instituição. 

Tive uma avó que passou os seus últimos anos num lar. Creio que até era bem tratada e ela era até muito social e animada. Mas não deixou de se perder ao entrar lá.

Ia lá muitas vezes visitá-la, mas de cada vez que lá ia, era como se me apunhalassem. Ela mostrava-se até feliz, mas o entorno dela era angustiante. Não houve uma vez que lá fosse que não me apetecesse trazê-la de volta. Claro que isso é impossível na sociedade ocidental de hoje. É por isso que olho com respeito para o oriente, onde os seus "velhos" que aqui são vistos como "fardos" são tratados com respeito, carinho e consideração, dando-se valor a todo o conhecimento que adquiriram com a sua vivência. Nisso, estão à nossa frente anos-luz. Será que algum dia chegaremos lá...?

Livros: «Chá e corações partidos» de Trisha Ashley

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 Aqui está uma possibilidade de leitura para este verão. Este livro leva-nos numa viagem de descoberta da sua personagem principal, fazendo-nos pensar na nossa própria trajetória de vida. Ainda não tinha lido nada desta autora e foi uma boa surpresa. Mas não recomendo lê-lo com fome, uma vez que encontramos recorrentes referências a iguarias que nos deixam de água na boca... Aliás, no final do livro têm mesmo acesso às receitas para confecionar algumas delas...Nham, nham...

 

Apesar de também apelar ao romance, a história (re)lembra aos leitores que é preciso ter preserverança e lutar, por mais que as circunstâncias da vida nos ponham para baixo.

Aqui ficam com o resumo. Podem adqui-lo, por exemplo, aqui por 16,90€. (Se comprarem por esta altura ainda têm 10% de desconto em cartão e portes grátis).

 

Boas leituras!

 

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Objeto de desejo: les Specs - «The last Lolita», o livro e os filmes

 

 Lolita é um clássico da literatura, escrito pelo russo Vladimir Nabokov, que veio a viver posteriormente nos Estados Unidos devido a circunstâncias histórico-políticas. A história gira à volta de Dolores (Lolita), uma adolescente por quem um professor universitário de meia-idade se apaixona violentamente, cometendo as maiores loucuras para ficar com ela. Chamar-lhe-íamos pedofilia, claro está, mas o livro (controverso até hoje) apresenta-nos o ponto de vista de Humbert Humbert, o narrador. Se nos esquecermos deste pequeno grande pormenor, até poderíamos ver o molestador como vítima e não o contrário, porque nos escapa por momentos que é a perspetiva do molestador que está exposta...

 

Nada como ler a fonte. Podem adquirir, por exemplo, aqui por 18€.

 

Se nos custa, por vezes, ter em conta da força da subjetividade do narrador, no cinema, isso torna-se muito mais difícil. O primeiro filme saiu em 1962:

 

 

 

O segundo, em 1997 e foi estrelado por um dos meus atores preferidos, Jeremy Irons.

 

 

Em ambos os filmes se omitem pormenores importantes do livro que nos fazem tender a "desculpar" e a tentar compreender as atitudes do verdadeiro protagonista da história, especialmente no segundo. Lolita aparece como insensível, provocadora e interesseira, quase parecendo que o verdadeiro herói é o padrasto que tenta resistir. Aliás, as violações não são flagrantes nos filmes.

 

É preciso não esquecer que os filmes são sempre adaptações dos livros, daí que, se realmente a história nos interessa, podemos sempre ir à fonte para comparar.

 

 

E isto tudo a propósito dos óculos que foram inspirados nesses que a Sue Lyon usou no primeiro filme, bem segundo a moda da época de cat eye e que está novamente na moda e eu adoro.

 

Eu escolhi esta cor, mas no site encontram também outras, incluindo, o original vermelho.

 

Podem adquirir aqui por 105€.

 

 

 

Já agora, no site tem outros modelos que podem ver muito giros. Trata-se de uma marca australiana dos anos 70.

 

 

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