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Brega & Chique

Este é um blogue de uma mulher portuguesa com todas as (f)utilidades inerentes a essa condição...

Os (des)arrumadores de carros

Arrumadores de carros pedem legalização da actividade em Viseu

Se vais já atrasada para um compromisso qualquer, num sítio em que é difícil estacionar e vês lá ao fundo uma mão de um arrumador de carros a indicar-te um lugar, agradeces e (porque não?) até contribuis com alguma coisa. Afinal de contas, o homem prestou-te um serviço que, quanto mais não seja, te poupou tempo. Certo. A mim não me custa nada dar "a moedinha" quando assim sucede. Outra coisa foi o que se passou recentemente comigo...

Depois de andar quase um quarto de hora à procura de estacionamento, ter desistido e ter encostado para que alguém viesse e tirasse o carro, depois de conseguir, eis que me surge lá do fundo a correr o "artista". Saio do carro, sem sequer perceber o que ele ali fazia quando ele, entre dentes, me pede "a contribuiçãozinha". Respondo-lhe que fui eu que arranjei o lugar, mas que quando voltar pode ser que dê qualquer coisa, viro costas e...

... depois de andar uns metros, ouço-o dizer qualquer coisa do género "se o carro ainda cá estiver" ou algo assim. Passei-me. Literalmente. Virei-me a ele de tal forma danada que ele recuava e eu avançava. Mas que c...? Eu passo mais de um quarto de hora à procura de lugar, arranjo eu o estacionamento e vem ele exigir-me dinheiro?! À causa do quê? É o dono do parque? Prestou-me algum serviço? Que obrigação tenho eu de dar? Ou até de ter para dar?! E, ainda por cima, me ameaça?! Quem?!!!! 

Se ele não recuasse, no mínimo, tinha levado uma malada. Ameacei chamar a polícia e fazer queixa. Só mais tarde me passou pela cabeça usar as novas tecnologias para captar a imagem de quem me ameaçava. Ele não estava à espera da minha reação e ficou com medo. Uns metros à frente, por acaso, encontrei um carro da polícia e fiz queixa. Disseram que iam tratar do assunto e devem ter ido, porque quando cheguei o carro estava como o deixei e o "melro" tinha sumido.

Não sei qual é a ideia desta gente. Acha que temos obrigação de os sustentar...? E aos seus vícios, o que é pior...? Nem pensar! Dou, sempre e quando considere que me foi prestado um serviço. De resto, venham-me cá com ameaças e pode ser que "a Páscoa lhes saia ao sábado".

 

Foto: http://www.jornalviarapida.com/regiao/arrumadores-de-carros-pedem-legalizacao-da-actividade-em-viseu

O "botellón" tuga das gerações mais jovens

O "botellón" é uma prática juvenil importada de Espanha. A palavra vem de "botella" (garrafa) e significa em si, uma garrafa maior que o normal, ou seja, uma garrafa de grandes dimensões, por estar no grau aumentativo.

Em termos comportamentais, o "botellón" é uma prática de jovens que consiste em adquirir bebidas alcoólicas em locais que as vendem a baixo preço (ou até trazê-las de casa) em grandes garrafas e juntarem-se em locais onde as consomem ouvindo música e confratenizando, muitas vezes acabando por provocar distúrbios em plenos espaços públicos. A grande (e rápida) ingestão destas bebidas aliada à baixa fase etária dos jovens leva a comportamentos libertinos com graves consequências para os mesmos.

O problema é tão grave que já estão a ser tomadas medidas em Espanha para controlar esta prática. Num estudo espanhol constatou-se que 64% de jovens entre os 14 e os 18 anos consideram que é normal a ingestão de álcool.

Em Portugal, a venda de álcool é proibida a menores de 18 anos, mas há sempre maneira de contornar as coisas e mesmo em locais como bares e discotecas a verdade é que vejo sempre ser servido álcool a jovens que claramente não têm 18 anos, sem lhes ser pedida qualquer tipo de identificação.

Se estou a escrever sobre isto é porque testemunhei ainda há pouco tempo um exemplo desta prática degradante. Não que eu seja uma puritana ou que me tivesse trancado em casa com essas idades. Mas era diferente. Havia limites, coisa que esta geração não tem.

Numa ida a uma discoteca, o panorama à entrada era o seguinte: grande confusão na rua pública com magotes de jovens até no meio da estrada com a sua garrafa a emborcar. Táxis traziam continuamente jovens nas mesmas condições. No parque de estacionamento desse local, o mesmo cenário com os carros abertos com música em altos berros. Como cá fora não existem (obviamente) casas de banho, fizeram do muro de uma casa e dos pés de milho que lhe era próximos um urinol, com o consequente fedor que daí exalava. Tropeçavam, caíam e alguns já vomitavam.

À entrada da discoteca iam bebendo até à entrada, pousando no chão, antes de entrarem, as respetivas garrafas, que se acumulavam, à vista dos seguranças do local. O cheiro a "ganza" já se sentia na fila da entrada e continuou a sentir-se esporadicamente dentro da discoteca.

Lá dentro, a confusão reinava. Nunca percebi porque é que esta nova geração só sabe falar aos gritos. Também não sabe caminhar devagar no meio da multidão nem respeitar filas. "Com licença" e "desculpe" também não está no seu dicionário. Por várias vezes, fui abarroada ao ponto de quase me levarem à frente.

A casa de banho das mulheres parecia um cenário dantesco. Muito drama, gritos e choros, vómitos, copos vazios espalhados por todos os lados e até meias vi no lavatório. 

No fim da noite, à saída, vários sentados no chão ou mesmo deitados. 

Tive vontade de distribuir umas boas bofetadas a apreciar determinadas cenas, mas depois lembrei-me que são miúdos... E eu não era pai nem mãe de nenhum deles. Isso sim, era importante saber onde andariam os seus "papás" e a educação que não lhes deram. Os pais estão a demitir-se das suas funções e o resultado é este. Aliás, nota-se bem pelo que se passa nas escolas, aonde acorrem para reclamar de tudo e pouco para assumirem as suas responsabilidades de pais. Passou-se do 8 ao 80. Dá medo pensar que esta gente é o nosso futuro...

 

 

(imagem em https://elpais.com/elpais/2018/04/25/tentaciones/1524656241_047244.html)

Saldos: o que os homens sofrem!

Men get bored after just 26 minutes of shopping, and it's most mind-numbing when you're still perusing the racks long after they've finished... or they're hungry

E aí estão os saldos (se isto fosse um vlog ouvir-se-iam sons de campainhas...)! Que maravilha para uns... e que desgraça para outros...

 

Nestas alturas de promoções, saldos, descontos e afins, lá vamos nós, em peregrinação, correr as capelinhas das lojas e, sobretudo, dos shoppings. Todas contentinhas, a ansiar pelo melhor negócio, de carteira mais ou menos recheada, mas sempre com as expetativas elevadas, fazemos autênticas gincanas, andar acima, andar abaixo, para nesta loja e na a seguir também, que pode ter alguma coisa que preste.

 

Algumas de nós, de inspiração "dominatrix", arrastamos atrás esse espécime "namorado" ou "marido", que segue qual animal para o matadouro, mudo e calado (porque se abrir a boca ainda é pior). E é vê-los com ar de sofrimento atroz, pior do que se o seu clube futebolístico preferido perdesse, completamente aniquilados do seu estatudo de macho latino e rebaixados na sua dignidade ao mais alto nível.

 

Nestes dias, limitam-se a carregar com as compras e a seguir fielmente a sua senhora, qual apaixonado das cantigas trovadorescas, vassalo das suas vontades e elogiador de tudo o que ela escolhe, porque já percebeu que se não disser "ámen" a tudo o que ela disser e, se provocar sentimentos de indecisão nas suas vontades, penará o dobro ou o triplo do tempo, porque ela tem que encontrar "o trapo" e não serve qualquer coisa.

 

Também costuma ser útil para ir buscar outros tamanhos ou cores e guardar lugar na fila dos vestiários ou na caixa. 

 

Aos mais sortudos é concedida uma ida rápida à casa de banho (ou para fumar um cigarro), espaço de tempo que estende o mais possível e que aproveita para piscar o olho a uma ou outra catraia que passa, como se se estivesse a vingar da situação em que o colocaram.

 

Também é interessante a reação que têm quando passam por outro espécime da sua condição: regra geral, baixam a cabeça e fazem de conta que nem se enxergam. Parece uma espécie de contrato de silêncio, com exceção dos que se conhecem, claro, estes aproveitam para carpir as suas mágoas, enquanto as mulheres apresentam uma à outra o espólio já adquirido, numa concorrência (des)leal.

 

Quando, por fim, se vêem livres de tudo aquilo ainda têm que ouvir o resto do dia (noite...?) a mulher a falar com entusiasmo épico de cada uma das niquices que comprou e concordar enfaticamente (mais que não seja, com acenos de cabeça ou grunhidos) que foram ótimas compras.

 

Homem sofre!!!! :)

(imagem: https://www.dailymail.co.uk/femail/article-2356781/Men-bored-just-26-MINUTES-shopping--women-2-hours.html)

 

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