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Brega & Chique

Este é um blogue de uma mulher portuguesa com todas as (f)utilidades inerentes a essa condição...

Catarse

 Uma das razões porque gosto de "escrevinhar" é porque tem um efeito catártico sobre mim. Mas, antes de continuar, se calhar convém ir ao dicionário buscar definições para nos alinharmos... Ora, então, segundo o dicionário da Priberam:

 

ca·tar·se |z|
(grego kátharsis, -eós, purificação)

substantivo feminino

1. [Filosofia]  Palavra pela qual Aristóteles designa a "purificação" sentida pelos espectadores durante e após uma representação dramática.

2. [Psicanálise]  Método psicanalítico que consiste em trazer à consciência recordações recalcadas.

3. [Psicanálise]  Libertação de emoção ou sentimento que sofreu repressão.

4. [Medicina]  Evacuação dos intestinos.

Hum... Tinha aí uma definição que eu também desconhecia, mas que confere...

 

Hoje vou discorrer sobre aquelas pessoas com as quais, inevitavelmente, nos vamos cruzando ao longo da vida. Pode ser um familiar, um amigo, um colega de trabalho ou um namorado. Falo daquele tipo de pessoas que passa por cima de todos só para se evidenciar e tirar vantagem, magoando sem quaisquer remorsos, especialmente os que mais estão a seu lado. Em suma, o mal alheio é o que lhe proporciona felicidade.

 

Estas pessoas têm, na realidade, uma grande falta de autoestima, embora, por fora, pareçam os "reis da cocada preta" (já agora, sugiro que façam uma pesquisa no google sobre esta expressão idiomática e vão ver se não é tal e qual...). São desprovidas de verdadeiros valores morais, embora apregoem o contrário. Têm prazer em deitar os outros abaixo porque, assim, se sentem melhores; na realidade, não têm amigos porque nunca conseguem ser verdadeiros com ninguém e recusam tirar a máscara que usam até a dormir, se for preciso.

 

Conhecem alguém assim...? Afastem-se! Porque esta gentalha nunca vos trará nada de bom. Só enganos, mentiras, deceções, traições e tudo o seja falso. Neles nada é verdadeiro, simplesmente porque o teatro é tanto que já nem sabem o que é real, o que nos leva à definição aristotélica...«"purificação" sentida pelos espectadores durante e após uma representação dramática».

 

Já a definição «método psicanalítico que consiste em trazer à consciência recordações recalcadas» é o processo inicial que temos de fazer para atingir o fim catártico. Juntar as peças do puzzle e ver o que não encaixa. Depois, sim, as coisas começarão a fazer sentido, vistas de um prisma diferente... A partir daí, podemos fazer a «libertação de emoção ou sentimento que sofreu repressão», ou seja, os nossos próprios sentimentos e a nossa pessoa, claro, que andavam aferrolhados naquilo...

 

Por último a definição para a medicina :«evacuação dos intestinos». Por outras palavras, e contextualizando, deixar a merda ir...

 

Comigo resulta! E com vocês?...

 

 

Pai Natal versus Menino Jesus

 

O Natal está mesmo aí a chegar e é impossível não se dar conta disso. Por muito que não se queira saber ou até se for de uma religião que não se coadune com a época natalícia, as luzes, as músicas, a correria aos presentes, doces, chocolates e afins desta sociedade consumista gritam que é Natal.

 

Quando era pequena cheguei a acreditar no Pai Natal por algum tempo, graças às artimanhas dos meus pais, embora só o visse pela televisão porque não havia a vulgarização da figura que hoje existe e que permite que em qualquer esquina se tope com o homem das barbas brancas, mesmo que esteja a fumar um cigarro ou a praguejar, como qualquer um...

 

Acreditava apenas porque os meus pais diziam e ele lá aparecia na TV na sua casinha do polo Norte a preparar o seu trenó e as suas renas para a viagem mágica. E havia os presentes que apareciam inusitadamente no sapatinho, claro. Toda a gente deixava um sapato ou um chinelo na lareira por onde o velhote desceria para cumprir a sua missão, na noite de 24 para 25.

 

Até que... aos seis anos, a minha prima mais nova (mas mais expedita e desconfiada que eu) apanhou em flagrante delito o verdadeiro responsável pelos presentes e me provocou, inadvertidamente, o primeiro grande desgosto da minha vida: o Pai Natal não existia e, pior que isso, os meus pais tinham-me enganado! Nunca mais confiei neles a 100%...

 

Contudo, a minha avó tentou remediar a situação. Ela nunca alinhara bem na história do Pai Natal, portanto, era mais confiável. Ela dizia que era o Menino Jesus o verdadeiro responsável pelas prendas porque o Natal era a celebração do seu nascimento, embora tivesse vindo ao mundo para nos salvar pela sua condenação. Fiquei confusa, mas a minha avó, com muita calma explicou-me que se os meus pais conseguiam dar-me presentes era porque Jesus e Deus lhes davam faculdades para isso e faziam com que conseguissem ter trabalho e saúde.

 

A coisa fez mais sentido para mim, confesso, do que vir um barbas do polo Norte montado numas renas esvoaçantes, conseguindo numa só noite distribuir presentes em todo o mundo e passando pela chaminé com aquela pança.

 

Mesmo assim, havia magia nesses dias e durante o tempo em que os meus pais ainda estiveram juntos, porque, embora soubéssemos que cada um comprava as prendas dos outros (instruídos por Jesus ou não), continuámos a deixar os sapatinhos e vínhamos de noite, quando os outros estavam a dormir, pôr as prendas. Dependendo de quem ia primeiro deixar a sua parte, podíamos já ver algumas já postas e íamos para a cama imaginar no que seria. E esperávamos, até à manhã do dia 25 para as abrir em conjunto. O primeiro que acordasse dava o sinal de "alvorada".

 

Agora, as coisas já são muito diferentes. Perdeu-se a magia e esse ritual de que me recordo com nostalgia. Mas, se estamos vivos e com saúde, é porque o Menino Jesus está a fazer a parte dele. Afinal, a minha avó tinha mesmo razão... Feliz Natal a todos!

Domingos de manhã, ginásio e... putos?!

 

Domingo de manhã... Aproveitando o facto de ter acordado cedo, lá vou eu um bocado contrariada, mas no espírito de oquetemdesertemmuitaforça pagar os meus pecados para o ginásio. Uns, vão ao domingo de manhã para a missa expiar os pecados da alma; eu, quando consigo, vou domingar ao ginásio pagar os pecados da carne, salvo seja, da gula. Vou de trombas (vou sempre...) e a maldizer a minha vida, mas graças às missas, às saídas da noite de sábado à noite (que não permitem a muitos sequer pôr o pezinho fora da cama), aos "passeios dos tristes" de domingo ou às comezainas familiares domingueiras que é preciso preparar desde cedo, costuma ser um espaço de paz e sossego, que eu gosto pouco de apertos nestes sítios... Ou por outra... costumAVA ser!...

 

 Ultimamente, cada vez mais, tenho apreciado um novo fenómeno social... Domingo de manhã, cheio de sol... O ginásio, contrariamente ao expetável não está às moscas, mas sim, com pais e... putos?! Putos mesmo pequeninos, de cerca de dois anos até aos oito, nove... Correm por entre as máquinas mexendo em tudo (sujeitos a levar com algum peso em cima ou a estragar alguma coisa) perante os ocasionais berros desalmados dos seus paizinhos que nem se dignam a levantar o cu do banco para ir tomar conta deles... WTF?!

 

Respiro várias vezes, enquanto me desvio para não chocar com um dos putos em plena correria. Entretanto, para me abstrair de tal cenário onde predominam os guinchos, reflito sobre o que estou a observar... Hummmm...

 

Pais de sexo masculino, sem alianças no dedo... Hum... cheira-me a divorciado recente a quem calhou a vez de ficar com o garoto ao fim de semana, daí ter-se levantado cedo e estar com o puto, caso contrário deixá-lo-ia em casa com a respetiva progenitora. E o que é que faz o pai macho...? Em vez de aproveitar o tempo com o filho e até as condições metereológicas e levá-lo e fazer quiçá exercício noutros sítios (jogar à bola, correr na praia, sei lá, tanta coisa...) não... Toca a encerrar o fedelho num espaço fechado, perigoso e desadequado à idade dele, sem se dignar a tomar conta dele, sequer.

 

Os putos vão-se distraindo, fazendo dores de cabeça aos demais usuários do espaço (de caminho habilitando-se a lesionarem-se a sério) e os paizinhos entretêm-se a descascar as ocupantes femininas com os olhos, em lugar de tomar conta das suas crias...

 

Oremos!...

 

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