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Brega & Chique

Este é um blogue de uma mulher portuguesa com todas as (f)utilidades inerentes a essa condição...

Obras em casa: «o drama, a tragédia, o horror»

 
 
 Nunca a expressão do Artur Albarran fez tanto sentido para mim... 
As obras acabam por ser necessárias em qualquer habitação. Começam a surgir problemas que têm que ser resolvidos para não piorarem e aproveita-se para renovar um pouco as coisas que já estão desfasadas da nossa vida atual. As nossas necessidades do presente já não são as mesmas de há 20 anos atrás e, como tal, há que ter dinheiro, (muita) coragem, capacidade prática e mentalizar-se que durante um determinado período de tempo viverá num qualquer acampamento pós-apocalítico, que é onde me insiro no momento.
 
"O drama": começa logo com uma enorme diferença entre quem se muda durante as obras e quem fica. Quem se muda tem um drama-parcial e quem fica tem uma verdadeira-tragédia-grega. Depois, ainda há a diferença entre quem vive numa casa, que tem mais por onde espalhar as coisas e quem vive num apartamento que, em último recurso ainda pode por coisas nas varandas e no patamar das escadas (arriscando-se, neste caso, a que alguém resolva "limpar" os seus haveres).
 
Claro que aqui a "Je" pertence às piores categorias dos dois, pois vive num apartamento e optou por não ir para um hotel, não fosse ter que fazer de pedreira para depois pagar as contas.
 
Para começar, há que fazer a planificação do que se quer fazer, conjugando as nossas necessidades com design e com a nossa conta bancária.Só aí já irão perder montes de tempo e mudar de planos, pelo menos, umas dezenas de vezes, especialmente por causa de palpites alheios.
 
Depois de se ter uma ideia clara, é necessário pedir orçamentos e programar e conciliar os diferentes serviços. Por exemplo, o carpinteiro não poderá fazer o seu trabalho sem os pedreiro acabar o seu. Outro aspeto muito importante: esta gente NUNCA cumpre espaços temporais, portanto, o melhor é "aceitar que doi menos" para se enervar o menos possível (diz alguém que já se tinha passado duas vezes ainda sem as obras começarem...). Portanto, a mentalização de que nada será feito no prazo estipulado e a conscialização de que a sua casa será uma zona de guerra por um tempo mais do que o planeado e sem fim aparente são os primeiros passos para uma remodulação de sucesso.
 
A tragédia: Inicialmente, terá de remover as coisas do sítio e, claro, transferi-las para outro. Devo dizer que as casas-de-banho são (ainda) os dois únicos sítios que não contêm itens que não lhes pertencem e este milagre ocorre simplesmente porque... não havia mesmo espaço nenhum utilizável! De resto, é tralha por todo o lado nos sítios mais inusitados. Nesta fase, a pessoa costuma ser surpreendia pela quantidade inacreditável de quinquilharia que nem sonhava que tinha!
 
A seguir, começam as obras propriamente ditas: pó por todo o lado, barulhos ensurdecedores e falta de privacidade. Por outro lado, é necessário estar atento ao desenrolar dos acontecimentos para que tudo fique do jeito que queríamos.
 
Acresce que aparecem sempre situações que não estavam previstas e outras que não estavam contempladas no orçamento inicial.
 
Para pessoas com fraco poder de abstração, como eu, custa muito visualizar o resultado final e torna-se difícil optar por esta ou aquela solução. Na dúvida, eu sempre deixo que os profissionais decidam, afinal, eles é que são da área.
 
O horror: Por fim, há que limpar a esterqueira toda e reorganizar tudo o que anda espalhado pela casa. Eu ainda não estou nessa fase, mas suspeito que vá dar imenso trabalho e custe imenso tempo. Vou ver se consigo livrar-me de alguma tralhice quando lá chegar, o que me custará imenso, porque, de cada vez que faço isso, passado uns tempos, acabo por precisar de algo que já mandei fora...
 
Como vêem, "o drama, a tragédia, o horror"... há que ter muita paciência e não perder o foco no objetivo: melhorar as nossas condições.

 

Catarse

 Uma das razões porque gosto de "escrevinhar" é porque tem um efeito catártico sobre mim. Mas, antes de continuar, se calhar convém ir ao dicionário buscar definições para nos alinharmos... Ora, então, segundo o dicionário da Priberam:

 

ca·tar·se |z|
(grego kátharsis, -eós, purificação)

substantivo feminino

1. [Filosofia]  Palavra pela qual Aristóteles designa a "purificação" sentida pelos espectadores durante e após uma representação dramática.

2. [Psicanálise]  Método psicanalítico que consiste em trazer à consciência recordações recalcadas.

3. [Psicanálise]  Libertação de emoção ou sentimento que sofreu repressão.

4. [Medicina]  Evacuação dos intestinos.

Hum... Tinha aí uma definição que eu também desconhecia, mas que confere...

 

Hoje vou discorrer sobre aquelas pessoas com as quais, inevitavelmente, nos vamos cruzando ao longo da vida. Pode ser um familiar, um amigo, um colega de trabalho ou um namorado. Falo daquele tipo de pessoas que passa por cima de todos só para se evidenciar e tirar vantagem, magoando sem quaisquer remorsos, especialmente os que mais estão a seu lado. Em suma, o mal alheio é o que lhe proporciona felicidade.

 

Estas pessoas têm, na realidade, uma grande falta de autoestima, embora, por fora, pareçam os "reis da cocada preta" (já agora, sugiro que façam uma pesquisa no google sobre esta expressão idiomática e vão ver se não é tal e qual...). São desprovidas de verdadeiros valores morais, embora apregoem o contrário. Têm prazer em deitar os outros abaixo porque, assim, se sentem melhores; na realidade, não têm amigos porque nunca conseguem ser verdadeiros com ninguém e recusam tirar a máscara que usam até a dormir, se for preciso.

 

Conhecem alguém assim...? Afastem-se! Porque esta gentalha nunca vos trará nada de bom. Só enganos, mentiras, deceções, traições e tudo o seja falso. Neles nada é verdadeiro, simplesmente porque o teatro é tanto que já nem sabem o que é real, o que nos leva à definição aristotélica...«"purificação" sentida pelos espectadores durante e após uma representação dramática».

 

Já a definição «método psicanalítico que consiste em trazer à consciência recordações recalcadas» é o processo inicial que temos de fazer para atingir o fim catártico. Juntar as peças do puzzle e ver o que não encaixa. Depois, sim, as coisas começarão a fazer sentido, vistas de um prisma diferente... A partir daí, podemos fazer a «libertação de emoção ou sentimento que sofreu repressão», ou seja, os nossos próprios sentimentos e a nossa pessoa, claro, que andavam aferrolhados naquilo...

 

Por último a definição para a medicina :«evacuação dos intestinos». Por outras palavras, e contextualizando, deixar a merda ir...

 

Comigo resulta! E com vocês?...

 

 

Domingos de manhã, ginásio e... putos?!

 

Domingo de manhã... Aproveitando o facto de ter acordado cedo, lá vou eu um bocado contrariada, mas no espírito de oquetemdesertemmuitaforça pagar os meus pecados para o ginásio. Uns, vão ao domingo de manhã para a missa expiar os pecados da alma; eu, quando consigo, vou domingar ao ginásio pagar os pecados da carne, salvo seja, da gula. Vou de trombas (vou sempre...) e a maldizer a minha vida, mas graças às missas, às saídas da noite de sábado à noite (que não permitem a muitos sequer pôr o pezinho fora da cama), aos "passeios dos tristes" de domingo ou às comezainas familiares domingueiras que é preciso preparar desde cedo, costuma ser um espaço de paz e sossego, que eu gosto pouco de apertos nestes sítios... Ou por outra... costumAVA ser!...

 

 Ultimamente, cada vez mais, tenho apreciado um novo fenómeno social... Domingo de manhã, cheio de sol... O ginásio, contrariamente ao expetável não está às moscas, mas sim, com pais e... putos?! Putos mesmo pequeninos, de cerca de dois anos até aos oito, nove... Correm por entre as máquinas mexendo em tudo (sujeitos a levar com algum peso em cima ou a estragar alguma coisa) perante os ocasionais berros desalmados dos seus paizinhos que nem se dignam a levantar o cu do banco para ir tomar conta deles... WTF?!

 

Respiro várias vezes, enquanto me desvio para não chocar com um dos putos em plena correria. Entretanto, para me abstrair de tal cenário onde predominam os guinchos, reflito sobre o que estou a observar... Hummmm...

 

Pais de sexo masculino, sem alianças no dedo... Hum... cheira-me a divorciado recente a quem calhou a vez de ficar com o garoto ao fim de semana, daí ter-se levantado cedo e estar com o puto, caso contrário deixá-lo-ia em casa com a respetiva progenitora. E o que é que faz o pai macho...? Em vez de aproveitar o tempo com o filho e até as condições metereológicas e levá-lo e fazer quiçá exercício noutros sítios (jogar à bola, correr na praia, sei lá, tanta coisa...) não... Toca a encerrar o fedelho num espaço fechado, perigoso e desadequado à idade dele, sem se dignar a tomar conta dele, sequer.

 

Os putos vão-se distraindo, fazendo dores de cabeça aos demais usuários do espaço (de caminho habilitando-se a lesionarem-se a sério) e os paizinhos entretêm-se a descascar as ocupantes femininas com os olhos, em lugar de tomar conta das suas crias...

 

Oremos!...

 

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